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Atividade, elenco, parte financeira... o cenário do Sport após um mês de paralisação

Reportagem fez um balanço de todas as consequências que o Leão sofreu por conta da pandemia do coronavírus; futuro mostra-se ainda incerto

postado em 16/04/2020 08:00 / atualizado em 16/04/2020 08:45

(Foto: Anderson Stevens/ Sport Recife )
Seriam dez dias decisivos. Recheados de expectativas. Após a derrota para o Ceará, o Sport iniciaria preparação para enfrentar Confiança e Santa Cruz, pelas últimas rodadas da primeira fase da Copa do Nordeste e Campeonato Pernambucano, respectivamente, ambos na Ilha do Retiro, em duelos de vida ou morte nas competições. Mas só seria. Por conta da pandemia do coronavírus, que assola todo o mundo, o futebol parou no Brasil. E nesta quinta-feira, o Leão completa um mês de inatividade.

Diante deste cenário, o Diario de Pernambuco traçou um raio-x do período no Sport, com todos os desdobramentos e ações na Ilha do Retiro. E como o futuro após 30 dias segue incerto. Confira abaixo tópico por tópico.

Atividade
O Leão havia suspendido todos os esportes no clube, incluindo, claro, o departamento de futebol profissional, que, semanas depois, ganhou férias, inicialmente, do dia 1º ao 20 de abril, tendo estas sido prorrogadas na última segunda-feira até o final deste mês - para minimizar perda do condicionamento, aliás, os atletas vêm recebendo cartilha de treinos e alimentação acompanha de perto pela comissão técnica. No entanto, o presidente Milton Bivar, na ocasião, fez questão de pontuar que o fim das férias não significa retorno aos trabalhos, uma vez que a Covid-19 segue uma crescente em Pernambuco.

Paralelamente ao período de férias dos atletas, tem sido negociado também junto a Comissão Nacional dos Clubes (CNC) uma redução salarial dos elencos. Esta, contudo, ainda não teve o martelo batido. No Náutico, por exemplo, que disputa a Série B, foi fechado há duas semanas uma diminuição de 25% do salário, além de possível renegociação dos direitos de imagem caso persista o surto de saúde.

Finanças
O prejuízo financeiro é algo que todos os clubes, sem exceção, vão ter. No caso do Sport, o trabalho é para contenção de danos. No que diz respeito aos sócios, houve uma diminuição de cerca de 6 mil torcedores no quadro social - não à toa, desde a paralisação do futebol, o Leão lançou seis promoções para tentar amenizar a queda. Com um ganho anual de cerca de R$ 10 milhões com associados, em março, a arrecadação foi de apenas 50% do esperado, de acordo com o diretor de marketing Rafael Soares. Desta forma, estima-se uma perda de aproximadamente R$ 400 mil no período.

Mesmo sem entrar em campo, aliás, o Sport conseguiu manter todos os seis patrocinadores que estampam o uniforme, ainda segundo o dirigente. Assim, como forma de compensar, desenha acordos de mais exposição das marcas em outras plataformas, assim como extensão do contrato e ações com jogadores, quando o cenário normalizar.

Além disso, mesmo com o adiamento do prazo, o Sport segue trabalhando nos bastidores para uma resolução da dívida de R$ 5,5 milhões na Fifa pela compra de André junto ao Sporting-POR, em 2017.
(Foto: Anderson Stevens/ Sport Recife )

Elenco - chegadas e saídas
Lá no segundo dia de paralisação, o presidente Milton Bivar havia afirmado que o Sport seguiria ativo no mercado. E, de fato, ficou. Desde então, foram dois reforços. Selou o pré-contrato realizado com o atacante Ronaldo e, enfim, fechou a chegada do lateral direito Patric, desejo antigo da diretoria.

Paralelamente a isso, conforme garantido pelo mandatário, o departamento de futebol também trabalha com saídas, que devem ocorrer na posição de volante e no ataque, setores inflados com nove e dez jogadores, respectivamente. Atualmente, aliás, o Sport conta com 38 peças no plantel - Daniel Paulista, no momento da sua chegada, em fevereiro, tinha dito que a ideia era trabalhar com 28. O clube, de acordo com Bivar, segue atento ‘às oportunidades de mercado’.

Próximos passos
Sem perspectiva para a volta das atividades, o Sport não tem pressa e aguarda reuniões da CNC para iniciar tomadas de decisões. Os clubes vêm se reunindo juntamente à CBF - o próximo encontro ocorre nesta sexta-feira - para debater não apenas a redução do salário dos jogadores de forma uniforme, mas também questões ligadas à direitos de transmissões e, de forma cautelosa, possíveis cenários de retorno das competições.

Pela cota de participação, a tendência é que a Série A mantenha o formato de pontos corridos por 38 rodadas, com chances de entrar em 2021. No cenário local, no entanto, Bivar já garantiu que não concorda com a ideia da Federação Pernambucana de Futebol (FPF) em retornar o Estadual no fim de maio.